O que esta obra entrega
A adaptação de 2019 de Blade of the Immortal entrega uma jornada densa, visceral e artisticamente sombria. Ao contrário de produções que romantizam o período dos samurais, esta obra mergulha na lama, no sangue e na decadência moral da era Edo. O foco central está na ambiguidade dos personagens, onde a linha entre heróis e vilões é constantemente borrada, forçando o espectador a questionar a verdadeira natureza da vingança.
Por se propor a adaptar a totalidade do material original em apenas 24 episódios, o ritmo é extremamente dinâmico. A narrativa avança sem hesitação, priorizando os confrontos mais significativos e o amadurecimento psicológico de Rin Asano ao lado de seu relutante protetor, Manji.
Produção e estúdio
A animação ficou a cargo do estúdio Liden Films, sob a direção altamente estilizada de Hiroshi Hamasaki, consagrado por seu trabalho em Steins;Gate e Shigurui. Hamasaki trouxe sua assinatura visual marcante, caracterizada por cores dessaturadas, enquadramentos dramáticos e uma atmosfera que evoca o cinema de samurai clássico combinado com uma estética de fantasia sombria. A trilha sonora, composta por Eiko Ishibashi, utiliza texturas orgânicas e experimentais para acentuar a tensão dos combates, enquanto o tema de abertura, Survive of Vision do cantor Kiyoharu, dita o tom rebelde e melancólico da série.
No elenco de vozes original, o destaque absoluto vai para o aclamado seiyuu Kenjiro Tsuda, que entrega um Manji cansado, rústico e profundamente humano. Ao seu lado, Ayane Sakura brilha ao expressar a vulnerabilidade e a determinação de Rin Asano, enquanto Nozomu Sasaki confere uma imponência fria ao antagonista Kagehisa Anotsu. No Brasil, o anime não recebeu uma dublagem em português, estando disponível exclusivamente com o áudio original em japonês e legendas em nosso idioma.
Curiosidades e bastidores
- Adaptação definitiva: Esta versão de 2019 foi planejada desde o início como uma adaptação completa da obra original, corrigindo o descontentamento dos fãs com a primeira versão em anime de 2008, que cobriu apenas os arcos iniciais e teve um desfecho inconclusivo.
- Armas anacrônicas: O criador original da história projetou deliberadamente armas bizarras e historicamente imprecisas para os personagens, misturando a estética tradicional japonesa com conceitos quase industriais e modernos.
- Direção de peso: O diretor Hiroshi Hamasaki utilizou sua experiência anterior com animações de samurai hiper-violentas para garantir que as cenas de combate mantivessem o peso dramático e o gore característicos das páginas originais.
Recepção e legado
A recepção de Blade of the Immortal foi amplamente positiva por parte da crítica especializada, que elogiou a coragem de manter o tom adulto e a violência gráfica sem censuras excessivas. Na comunidade, embora o ritmo acelerado necessário para condensar a trama tenha gerado debates entre os leitores mais puristas, a atmosfera opressiva, a direção de arte e a dublagem japonesa de Kenjiro Tsuda foram aclamadas como alguns dos pontos mais altos do ano de seu lançamento.