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Princesa Mononoke

Filme
1 episódio
2 hr 13 min
8.7 /10

893.267 votos

#81

por pontuação

24k

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Princesa Mononoke é um filme de Ação e Aventura de 1997 produzido por Studio Ghibli. No Japão do período Muromachi, onde deuses da floresta e clãs humanos habitam o mesmo mundo em frágil equilíbrio, a chegada de um demônio corrompido transforma esse silêncio em maldição.

Onde Assistir

Sobre Princesa Mononoke: História e Sinopse

No Japão do período Muromachi, onde deuses da floresta e clãs humanos habitam o mesmo mundo em frágil equilíbrio, a chegada de um demônio corrompido transforma esse silêncio em maldição. Ashitaka, o jovem príncipe Emishi que o enfrenta para proteger sua aldeia, carrega no braço a marca da corrupção, uma sentença de morte que o obriga a partir em busca de uma cura nos confins do oeste. Lá, ele se vê no centro de um conflito sem vilão absoluto: de um lado, Lady Eboshi e a Cidade de Ferro, que prospera às custas da destruição das florestas sagradas; do outro, San, a jovem criada pelos deuses-lobo, chamada pelos humanos de Princesa Mononoke, disposta a morrer pelo que protege. Princesa Mononoke é um filme que recusa respostas fáceis, e é exatamente por isso que continua incomodando e encantando décadas depois.

Personagens de Princesa Mononoke

Conheça os protagonistas, vilões e o elenco de dubladores.

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A narrativa e os temas centrais

Princesa Mononoke não é um filme sobre bem contra mal. É, antes de tudo, um filme sobre a impossibilidade de vencer em um conflito onde todos têm razão. Hayao Miyazaki constrói um choque entre dois mundos igualmente legítimos: a floresta primordial habitada por deuses animais (os mononoke) e a comunidade industrial de Tatara, liderada por uma mulher que abriga leprosos, ex-prostitutas e marginalizados da sociedade japonesa feudal. Nenhum dos lados é reduzido a símbolo ou caricatura.

O período Muromachi (aproximadamente 1336–1573), cenário histórico do filme, serve de pano de fundo para explorar temas que Miyazaki retomaria em toda a sua carreira: preservação ambiental, coexistência entre espécies e culturas, e a complexidade moral do progresso humano. O povo Emishi, etnia minoritária do Japão pré-medieval, distinta da hegemonia Yamato, aparece como um dado histórico deliberado do diretor, que insere grupos marginalizados no centro de sua narrativa de fantasia.

Os personagens e o conflito

Ashitaka ocupa uma posição narrativa incomum: ele não é um herói que escolhe um lado. Sua maldição, manifestada fisicamente como uma marca que cresce no braço e o leva à morte, é também uma metáfora para a posição do ser humano no mundo: capaz de destruir e de salvar ao mesmo tempo, movido tanto pelo ódio quanto pelo desejo de harmonia.

San, a Princesa Mononoke, é criada pela deusa-loba Moro depois de ser abandonada na floresta pelos próprios pais. Ela habita o espaço entre o humano e o animal sem pertencer completamente a nenhum dos dois, condição que Miyazaki explora com camadas de solidão e identidade que raramente aparecem em produções animadas. Lady Eboshi, por sua vez, é um dos personagens mais bem construídos do estúdio: antagonista com visão de mundo coerente, genuinamente comprometida com as pessoas que protege.

O Espírito da Floresta (Shishigami), figura divina com forma de cervo durante o dia e de gigante luminoso à noite, funciona como símbolo da natureza em si: sem julgamento, sem misericórdia, indiferente ao mérito humano.

Produção e estúdio

Princesa Mononoke é, em muitos aspectos, a obra mais ambiciosa da história do Studio Ghibli até aquele ponto. Com orçamento de ¥2,35 bilhões, mais do que o dobro de qualquer produção anterior do estúdio, o filme foi também o primeiro de Miyazaki a incorporar imagens geradas por computador de forma integrada à animação tradicional desenhada à mão. O resultado é uma produção visualmente densa, com fundos detalhados em nível raramente visto na animação japonesa.

Miyazaki desenvolveu o roteiro ao mesmo tempo em que desenhava os storyboards, um processo paralelo que durou meses, com os últimos quadros finalizados apenas em janeiro de 1997, seis meses antes do lançamento. Ele revisou pessoalmente mais de 80 mil dos 144 mil desenhos que compõem o filme.

A trilha sonora, composta por Joe Hisaishi em estreita colaboração com o diretor, é executada pela Orquestra Filarmônica de Tóquio e inclui o tema vocal interpretado pelo contra-tenor Yoshikazu Mera, uma escolha considerada incomum à época, mas que se consolidou como uma das marcas sonoras mais reconhecíveis do Ghibli. A parceria Miyazaki–Hisaishi vinha desde Nausicaä do Vale do Vento (1984) e aqui atinge um dos seus picos criativos.

Elenco de vozes

Elenco original (japonês):

  • Ashitaka — Yōji Matsuda

  • San / Princesa Mononoke — Yuriko Ishida

  • Lady Eboshi — Yūko Tanaka

  • Jigo — Kaoru Kobayashi

  • Moro — Akihiro Miwa

  • Okkoto — Hisaya Morishige

Dublagem brasileira (Herbert Richers / Disney):

  • Ashitaka — Peterson Adriano

  • San — Fernanda Crispim

  • Lady Eboshi — Vera Miranda

  • Jigo — Mauro Ramos

  • Moro — Nelly Amaral

  • Okkoto — Pietro Mário

A dublagem brasileira foi produzida pela Herbert Richers com direção de Telmo de Avelar, baseada na versão americana localizada pela Disney. Ela chegou ao Brasil em formato físico oficial apenas em 2014, pela Versátil Home Video, e ao streaming em 2020, via Netflix, mais de duas décadas após o lançamento original no Japão.

Curiosidades e bastidores

  • O título Mononoke (物の怪) não é um nome próprio, e sim uma palavra japonesa para criaturas sobrenaturais que possuem pessoas e causam sofrimento. San não nasce com esse nome, ele é dado pelos humanos que a temem.

  • Harvey Weinstein, então à frente da Miramax, tentou editar o filme para lançamento nos EUA. O produtor Toshio Suzuki respondeu enviando uma espada katana com um bilhete de uma única frase: "No cuts" (sem cortes). O filme foi lançado intacto, mas em bem menos cinemas do que o prometido, o que prejudicou sua arrecadação americana.

  • Neil Gaiman, autor de Sandman, foi contratado para adaptar o roteiro da versão em inglês norte-americana. Ele fez alterações significativas no diálogo para adequar a narrativa ao público anglófono, respeitando ao mesmo tempo a estrutura do original.

  • Princesa Mononoke foi o filme mais caro da animação japonesa quando produzido. Miyazaki afirmou durante a produção: "Não me importa se o estúdio falir."

  • A produção do filme foi documentada em um especial de mais de 400 minutos (How Princess Mononoke Was Born), lançado em home video em 2001, um dos bastidores mais completos já realizados para um longa de animação.

  • O povo Emishi, ao qual Ashitaka pertence, é um grupo histórico real que habitou o norte do Japão antes da expansão do Estado Yamato. A escolha de Miyazaki em centrar o protagonista nessa etnia foi deliberada e politicamente carregada.

Recepção e legado

Princesa Mononoke foi o filme de maior bilheteria no Japão em 1997, arrecadando ¥19,3 bilhões e atraindo cerca de 14,2 milhões de espectadores, recorde nacional que só seria superado em 2001 pela própria A Viagem de Chihiro, também de Miyazaki. Em sua primeira exibição televisiva, em janeiro de 1999, o filme atingiu 35,1% de audiência na região de Kanto, índice extraordinário para qualquer tipo de produção.

No circuito de premiações japonês, o filme levou os principais prêmios do 21º Japan Academy Film Prize (Melhor Filme e Melhor Animação), além do Grand Prix na divisão de animação do 1º Japan Media Arts Festival e os prêmios de melhor filme japonês no 52º Mainichi Movie Competition. Foi o primeiro longa de animação a receber o prêmio de melhor filme da Japan Academy, não apenas melhor animação.

A recepção internacional também foi robusta. Roger Ebert classificou o filme entre os dez melhores do ano e chamou a obra de uma grande realização e uma experiência extraordinária. A revista Variety destacou o roteiro adulto e complexo e a trilha de Hisaishi. O Entertainment Weekly comparou o efeito do filme ao de fazer qualquer produção Disney parecer apenas mais um produto comercial.

No ranking do MyAnimeList, Princesa Mononoke figura entre os filmes de animação mais bem avaliados de todos os tempos, com nota média acima de 8.7, consistentemente entre os cinco primeiros entre os filmes do Ghibli na plataforma.

Quase três décadas depois de seu lançamento, o filme continua sendo relançado em cinemas em todo o mundo, incluindo sessões em 4K restauradas, e permanece como um dos títulos centrais quando se discute o que a animação pode alcançar narrativa e artisticamente.

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Informações

Status:Finalizado
Tipo:Filme
Duração:2 hr 13 min
Classificação:13 anos
Temporada:1997
1ª Exibição:12 de julho de 1997
Origem:Original
Títulos:

Mononoke Hime

もののけ姫

Princess Mononoke

Estúdios

Studio Ghibli

Produtores

Nippon Television Network

Omnibus Promotion

Tokuma Shoten

Licenciadores

GKIDS

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