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Verão 2026 começa com um gato amaldiçoado, um yuri de guerra e a KyoAni saindo da zona de conforto

Julho enche a estante de novidade. Um mangá cancelado que renasce, um yuri de guerra e a fronteira mais arriscada da Kyoto Animation abrem a temporada de verão. Guia rápido de onde assistir e por que cada um importa.

Rafael Gonçalves
16:076 min de leitura
Capa do artigo com os 3 animes mais aguardados da temporada de Verão de 2026

Julho lota a estante de estreias, como sempre. No meio de dezenas de lançamentos, três projetos já puxam conversa em grupo de Discord e thread de fórum brasileiro. Um deles ressuscita um mangá que quase ninguém leu. Outro pega o rótulo "yuri" e joga numa zona de campo de batalha. O terceiro é a Kyoto Animation fazendo algo que ela nunca tentou.

Todos sobem na temprada de Verão 2026. Dois chegam ao Brasil pela Crunchyroll, um fica exclusivo na Netflix. A seguir, o que esperar de cada estreia e pra quem ela foi feita.

A grade rápida do verão

Black Torch estreia em 4 de julho, produção do 100studio, e cai na Crunchyroll. Ação sobrenatural baseada no mangá de Tsuyoshi Takaki.

I Want to Love You Till Your Dying Day abre em 7 de julho pelo estúdio Roll2, também na Crunchyroll. Yuri de fantasia sombria adaptado do mangá de Nachi Aono.

Sparks of Tomorrow chega em 5 de julho, animado pela Kyoto Animation, com exclusividade mundial na Netflix. Drama steampunk baseado no romance de Hiro Yūki.

Black Torch: o cancelado que voltou pra cobrar o que perdeu

Black Torch anime Jiro Azuma
Black Torch anime Jiro Azuma

Poucos mangás ganham uma segunda chance oito anos depois de acabarem no esquecimento. Tsuyoshi Takaki publicou Black Torch na Jump Square entre 2016 e 2018, fechou a história em cinco volumes magros e seguiu a vida. A obra passou batida no auge dela. Agora o anime do 100studio, dirigido por Kei Umabiki, estreia no dia 4 de julho disposto a contar essa história inteira do começo ao fim.

A premissa é direta e tem cara de shonen clássico. Jiro Azuma cresceu com o avô e ganhou um dom esquisito: conversa com bichos. Tudo desanda quando ele se funde com Rago, um gato preto que esconde ser um mononoke lendário. O acordo entre os dois arrasta o garoto pra dentro de uma guerra secreta entre espíritos, com uma agência ninja do governo no meio do caminho.

O detalhe que muda o jogo aqui não é o enredo. É que Takaki está supervisionando pessoalmente os settings e os storyboards, e admite que a versão animada saiu melhor que o original. Cinco volumes cabem confortável num cour de doze ou treze episódios. Tradução: nada de final apressado, nada de arco inventado, nada de aquele gancho que o mangá nunca resolveu.

Quem curte ação sobrenatural na linha de Jujutsu Kaisen ou Dan Da Dan, com folclore japonês e uma dupla protagonista de química rápida, já pode marcar o calendário.

I Want to Love You Till Your Dying Day: o yuri que não pediu desculpa por ser triste

Mimi Kagari do animeI Want to Love You Till Your Dying Day que estreia no Verão 2026
Mimi Kagari do animeI Want to Love You Till Your Dying Day que estreia no Verão 2026

Esqueça o yuri de cafeteria e confissão atrás do ginásio. A adaptação do mangá de Nachi Aono, que sobe em 7 de julho pelo estúdio Roll2, monta seu romance dentro de um orfanato que treina meninas pra serem armas mágicas de guerra. O cenário já entrega o tom.

Sheena Totsuki quer só uma coisa: que o conflito acabe. Ela perde a colega de quarto numa manhã qualquer, engole o luto e tenta seguir firme. Na mesma noite aparece uma garota coberta de sangue, sorrindo apesar dos ferimentos. Mimi Kagari é uma soldado imortal, a arma secreta da instituição, e logo vira a nova companheira de quarto de Sheena. Uma deseja parar a morte. A outra recebe a morte de braços abertos.

A ficha técnica reforça que ninguém aqui tá brincando. Jukki Hanada, roteirista de Sound! Euphonium e Love Live!, assina a composição de série. A abertura "Amore" fica com a ReoNa, voz que já carregou trilhas de Sword Art Online e tem queda por melancolia bonita. O encerramento "Éternel" vem da sajou no hana. Quando o time de música leva o luto a sério, o anime geralmente também leva.

A obra acumulou bagagem antes mesmo de estrear. Entrou na lista "You Should Read This Manga" do MyAnimeList em 2024 e foi indicada ao Next Manga Award lá em 2019. O original também já circula em português pela Crunchyroll Store, então dá pra conferir o material antes de julho.

Esse é o título de yuri com maior intenção de busca do verão, e por boa razão. Romance entre garotas sob a sombra da guerra, com magia ligada ao amor e a morte sempre rondando, atrai tanto o público de drama pesado quanto quem só quer um GL que doa de verdade.

Sparks of Tomorrow: a Kyoto Animation troca o moe pela fumaça de Kyoto

Personagens de Sparks of Tomorrow
Personagens de Sparks of Tomorrow

Existe um tipo de estreia que importa pelo nome do estúdio, antes de qualquer sinopse. Sparks of Tomorrow é exatamente isso. A Kyoto Animation, dona de Violet Evergarden e Hyouka, assina sua aposta mais incomum em anos, e ela chega exclusiva na Netflix em 5 de julho.

O projeto adapta o romance "20 Seiki Denki Mokuroku", de Hiro Yūki, sob direção de Minoru Ōta na primeira vez dele no comando de uma série. O cenário foge de tudo que a KyoAni costuma desenhar. Imagine uma Kyoto do início do século 20 onde o progresso seguiu pelo vapor, e a cidade vive sufocada na fumaça. É steampunk sem mecha, sem fantasia, só atmosfera e ambição humana.

A história segue Kihachi Sakamoto, um garoto que sonha com a "Era da Eletricidade" e anota suas invenções num caderno especial. O irmão mais velho, Seiroku, vai pra guerra levando o caderno e não volta. Anos depois, Kihachi reencontra o objeto perdido e cruza o caminho de Inako Momokawa, uma moça devota que carrega o próprio luto. Yuma Uchida e Sora Amamiya dão voz à dupla central.

O traço dos cenários puxa para o impressionismo, com pinceladas que mais parecem quadro do que fundo de anime. Quem assiste KyoAni pela direção de arte vai ter o que olhar quadro a quadro.

Fica a ressalva honesta sobre o modelo de lançamento. A Netflix mantém o costume de soltar tudo de uma vez em algumas regiões, o que mata a conversa semanal que faz uma temporada virar fenômeno. Drama de KyoAni pede digestão lenta e thread de teoria entre episódios. Binge de fim de semana entrega o produto, mas rouba parte da experiência. Vale acompanhar como a Netflix vai destrinchar a janela no Brasil.

O verão mal começou

Esses três abrem a lista, não a fecham. O calendário de julho ainda guarda peso pesado, com Bleach: TYBW entrando na reta final da adaptação e outros retornos que nós já mapeamos para você. Por ora, é Black Torch e o yuri da Crunchyroll dividindo a tela com a fumaça impressionista da KyoAni na Netflix.

Marca aí: 4, 5 e 7 de julho. A temporada de verão chega cheia, e essas estreias são só o aquecimento.

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