O que esta obra entrega
Diferente de outras adaptações famosas da franquia, Pokémon Get da ze! foca quase que inteiramente na comédia de situação e no lema clássico de capturar todos os monstrinhos. A obra abre mão de elementos tradicionais como líderes de ginásio, a temida Equipe Rocket ou grandes torneios para entregar uma série de esquetes focadas no carisma de seus personagens e nas interações hilárias entre Shuu e seu Pikachu rabugento.
O grande diferencial reside na dinâmica entre o protagonista e seu parceiro elétrico. Graças ao dispositivo de comunicação chamado Income, a comunicação direta permite que o Pikachu expresse sua personalidade sarcástica e, muitas vezes, sua total falta de vontade de ajudar seu treinador desastrado, gerando diálogos rápidos e piadas visuais excelentes para a época.
Análise de arcos e história
A narrativa de Pokémon Get da ze! é dividida de forma geográfica, acompanhando o lançamento dos jogos da franquia na época. Os dois primeiros volumes se passam na icônica região de Kanto, onde Shuu inicia sua jornada e tenta capturar os monstrinhos clássicos da primeira geração. Esses capítulos iniciais estabelecem a fórmula episódica da série, focando em piadas rápidas e na introdução de personagens recorrentes, como as gêmeas Rin e Ran, que possuem personalidades totalmente opostas.
A partir do terceiro volume, a história migra para a região de Johto, acompanhando a expansão do universo com a segunda geração de monstrinhos. Nessa fase, o mangá ganha um leve frescor com novos Pokémon e desafios de captura ainda mais absurdos, mantendo a essência cômica e o formato de histórias curtas e independentes, sem se prender a uma cronologia rígida ou a arcos dramáticos complexos.
Curiosidades e bastidores
- O pai do protagonista: O mangá apresenta uma das raríssimas aparições do pai de um protagonista baseado no treinador Red na franquia Pokémon. Ele é retratado como um cientista excêntrico que costumava usar Shuu como cobaia em seus experimentos bizarros na infância.
- O dispositivo Income: O headset que permite a Shuu falar com seu Pikachu é um conceito exclusivo deste mangá, antecipando de certa forma dispositivos de comunicação que apareceriam em jogos futuros da franquia.
- Adaptação sem amarras: Por não seguir o enredo dos jogos de Game Boy ou do anime de TV, a autora Miho Asada teve total liberdade criativa, o que explica a presença de animais do mundo real (como insetos) nos primeiros capítulos e capturas que acontecem totalmente fora de tela.
- Foco absoluto na captura: Embora a franquia ocidental use o slogan "Gotta Catch 'Em All!", pouquíssimas mídias oficiais focam tanto no ato de capturar novos Pokémon quanto este mangá, que faz disso o motor de quase todas as suas piadas.
Publicado originalmente na revista CoroCoro Comic entre 1998 e 2001, Pokémon Get da ze! conquistou seu espaço como uma das leituras alternativas mais divertidas da franquia no Japão. Embora não tenha o mesmo reconhecimento internacional ou a profundidade de Pokémon Adventures (Pocket Monsters Special), a obra é lembrada com carinho pelos fãs de longa data por sua abordagem puramente voltada à comédia pastelão.
Com um total de 5 volumes encadernados e 79 capítulos, o mangá de Miho Asada permanece como uma curiosidade histórica valiosa da era de ouro da pokémania, ilustrando como a franquia experimentava diferentes mídias e tons em seus anos formativos.